• Joana Martins

Eu, Joana Martins, apresento-me


Não, não quis ser pediatra desde pequenina. Nunca foi essa a ambição: queria ser arqueóloga como o Indiana Jones, bióloga marinha como o Jacques-Yves Cousteau, fotógrafa de natureza como o Thomas D. Mangelsen. E no entanto, fui para medicina. Porquê, concretamente? Porque caí no terrível erro de achar que podia ser mais útil dessa forma. Estou a ser irónica, claro! Mas esse foi o ponto de partida para uma viagem com muitos capítulos, grande parte deles bastante deprimentes. Boa aluna no secundário, empenhada na faculdade, entro na especialidade que queria, no sítio que eu queria - Hospital Porf. Fernando Fonseca. (o porquê da pediatria e o percurso durante o internato médico é motivo para tooooodo um outro texto) Ao fim de 5 anos de especialidade dou por mim a fazer exactamente o quê? A trabalhar em urgência hospitalar. Primeiro no hospital de formação, depois no Hospital de Ponta Delgada, depois no Hospital D. Estefânia. E o que é que se aprende exactamente num balcão de urgência? “Nada”, dir-me-ão vocês. “Nada”, disse eu a mim própria vezes e vezes sem conta. E assim foram passando os anos, os anos necessários para eu finalmente ter os meus filhos – o Sebastião e o Baltazar. Agora, que já passaram 12 anos de trabalho e que (finalmente!) me encontro a trabalhar na Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital D.Estefânia em Lisboa, surgiu a necessidade de colocar novamente a carreira em perspectiva. E há de facto uma ideia que há muito tempo que não me abandona. Uma ideia simples: na verdade, o que as famílias precisam mesmo é de colocar as suas dúvidas, com tempo, com a sensação que estão francamente a ser ouvidas. E isto é tão difícil no ambiente hospitalar. E eu que o saiba, porque não conheço outra prática clínica que não esta. É daqui que eu venho: é da tentativa de colheita de história clínica o mais rapidamente possível, do estabelecimento de prioridades, dos pedidos de consultadoria, dos pedidos de exames. Dos procedimentos, das más notícias. E sinceramente, no meio disto tudo, quase não tinha tempo para estar efectivamente com a criança e com a sua família. Então a ideia simples qual foi? Foi ter o meu espaço para estar efectivamente com as crianças e com os pais. Ajudar, acompanhar, propôr soluções, dar as respostas para as perguntas que precisam de tempo e espaço para ser colocadas. Ambicioso? Sim, sem dúvida, sobretudo num tempo em que há consultas com pediatras assistentes um pouco por todo o lado e grandes grupos a gerirem os tempos de consulta por nós. Mas, no entanto, aqui estou. Disponível para o papel de pediatra como deve de ser. Com tempo. Vejam só o desafio.

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